A mudança que a gente não quer
De cara começamos a conversar sobre coisas da vida, de como está tudo muito corrido e de como passamos boa parte da nossa vida fazendo as coisas de uma determinada forma e depois sofremos a culpa de tentar agir diferente e pensamos ser errado. Para além de um papo de cotidiano percebi que tínhamos algo naquele momento em comum e fui acalmada por essa percepção: nós duas, de maneiras diferentes, estávamos tentando entender como é que poderíamos melhorar o nosso ritmo de vida e as nossas escolhas.
Ritmo e escolhas, dois complexos eixos que sustentam as nossas vidas.
Poderíamos aqui refletir de muitas maneiras como melhorar o aproveitamento do tempo e dicas infalíveis para finalmente fazermos boas escolhas. Mas, será que é disso que se trata? Será que esses são realmente os pontos que merecem a nossa atenção?
Talvez podemos começar pela fixação em definir determinantes para a nossa vida que não acompanham toda a flexibilidade que ela nos exige, todas as modificações. Talvez precisamos pensar nessa forma automática de tentar encaixar a vida em um padrão que não nos pertence.
É curioso como queremos que as "coisas mudem": o trabalho melhore, as crianças cresçam, o grande amor apareça - ocultamente que algumas pessoas sumam da nossa vida - mas, negligenciamos a exigência de alteração para que essas novas coisas possam encontrar um lugar nas nossas vidas.
Quero um novo trabalho, mas não quero sentir o incomodo de procurar e correr o risco de não encontrar.
Quero que a comunicação no meu relacionamento melhore, mas não estou disposta a escutar o que a outra pessoa tem a dizer sobre mim.
Quero me sentir mais confiante e segura para enfrentar os desafios da vida, mas me nego a aceitar o que me dá tanto medo.
Estabelecer um ritmo confortável para viver e fazer escolhas que estejam alinhadas com nossos princípios é de fato a parte mais fácil, porque são resultados. O trabalho está nos bastidores, na camada de baixo como costumo dizer, o trabalho está no silêncio que parece insuportável e nas mazelas que já nos aconteceu.
Nosso maior problema não é encarar as mudanças, mas sim o que elas mudam em nós. E não se engane, mudanças desejadas e esperadas também dão trabalho e podem decepcionar, porque talvez ainda não foi preparado um espaço para que ela possa ser recebida.
Com carinho, La ✨


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